DE VENEZA
“Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude de muito imaginar;” (Luís de Camões, sonetos)
Escrevo-te de Veneza
Na mesa
A caneta descansa
Sobre a folha branca
Do leito
Onde te deito
Minha mão
Sobre o teu peito
Feito
De saudade e solidão
Escrevo-te de Veneza
Amor
Na boca o calor
Da tua boca presa
E o sabor
Constante
Daquele voraz instante
Escrevo-te de Veneza
Amor
Com a certeza
Experimentada
Que no solar do sonhador
Pernoita a mulher amada
Veneza, 16/4/1995
EPÍLOGO
-
* *
*Muito antes da nossa era*
*A Morte subiu*
*O vale do lado do sol poente*
*E ficou à nossa espera*
*Na margem esquerda do rio*
* *
*Como sempre*...
